Educação Infantil, Metodologias Ativas e Tecnologias Digitais

 

 

É sempre oportuno lembrar que o professor, deve usar as brincadeiras, naturais do período de desenvolvimento em que a criança se encontra e que favorecem seu amadurecimento, para ancorar seu conhecimento e ensino | Foto: Juliana Miranda

 

O ambiente escolar, ainda mais no ensino infantil, desempenha papel fundamental na socialização da criança, condição essencial para sua adaptação aos outros períodos escolares, tanto social quanto intelectualmente, e à vida em sociedade, em geral. E é através do professor, principalmente o da educação infantil, que a criança pode se desenvolver plenamente nessa etapa.

É sempre oportuno lembrar que o professor, nessa etapa, deve usar as brincadeiras, naturais do período de desenvolvimento em que a criança se encontra e que favorecem seu amadurecimento, para ancorar seu conhecimento e ensino, fazendo perguntas, comentando, desafiando e incentivando a verbalização.

Sua função, além das atribuições gerais a todo professor como planejamento, registro, execução de aulas, é a de mediador, facilitando a aproximação das crianças consigo e entre elas, decidindo e propondo práticas adequadas em grupo e atividades que promovam o desenvolvimento integral da criança.

 

Para empregar metodologias ativas de forma adequada, é essencial que o professor as conheça suficientemente para desenvolvê-las adequadamente em sala de aula. | Foto: Juliana Miranda

 

Neste ponto, a educação infantil faz interface direta com as chamadas Metodologias Ativas, cada vez mais empregadas nos diversos níveis de ensino.

As metodologias ativas referem-se a formas de ensinar que priorizam a atuação do aluno e estimulam o desenvolvimento de suas competências. A aprendizagem ativa ocorre quando o aluno interage com o assunto proposto e é estimulado a construir seu conhecimento e não apenas recebê-lo passivamente.

Nas metodologias ativas, diversas estratégias devem ser utilizadas para que o papel central do processo ensino-aprendizagem, que tradicionalmente era do professor, seja do aluno, que passa a ser mais autônomo e personaliza o processo ensino-aprendizagem. Entre os diversos tipos, temos, por exemplo, Aprendizagem Baseada em Problemas, Aprendizagem Baseada em Projetos, Team Based Learning, Think Pair Share, Peer Instruction, Sala de Aula Invertida, entre outros.

Para empregar metodologias ativas de forma adequada, é essencial que o professor as conheça suficientemente para desenvolvê-las adequadamente em sala de aula. Também precisa conhecer os recursos possíveis e mais favorecedores que pode utilizar. Neste ponto, esbarramos com o uso das tecnologias digitais na escola, consideradas recursos bastante pertinentes a esse modelo de ensino.

As Tecnologias Digitais de Informação e Comunicação (TDIC) tem influenciado os hábitos em nossa sociedade e, consequentemente, nas escolas, também. Como o processo educativo é influenciado por todos os âmbitos nos quais o aluno está inserido, como família, sociedade e tecnologias, isso se reflete diretamente na sala de aula e em todos os níveis de escolaridade. Até mesmo na educação infantil é natural para os alunos a imersão nas tecnologias digitais e a aprendizagem por meio dela é percebida como bastante divertida. Cabe ao professor, assim, se familiarizar com o uso das mesmas e se preparar para utilizá-las de forma interativa e socializadora. Dessa maneira, como a natureza das metodologias ativas é baseada em socialização e compartilhamento, usar as TDIC no emprego das mesmas retrata uma integração entre estratégia e técnica que pode ser um excelente diferencial no processo de ensino e aprendizagem, também na educação infantil.

 

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Maria Auxiliadora Motta Barreto

Possui graduação em Psicologia pela Faculdade Salesiana de Filosofia Ciências e Letras de Lorena (1984), mestrado em Educação pelo Centro Universitário Salesiano de São Paulo (2000) e doutorado em Psicologia como Profissão e Ciência pela Pontifícia Universidade Católica de Campinas (2006). Docente de cursos de graduação e pós-graduação e pesquisadora na Universidade de São Paulo – USP. Foi Pró-Reitora de Pós-graduação, Pesquisa e Extensão e orientadora de trabalhos de conclusão e de pesquisa, tanto em graduação (odontologia, medicina, psicologia e engenharia) quanto em pós-graduação (lato e stricto sensu). Tem experiência em Psicologia Organizacional, com ênfase em Administração de Recursos Humanos e em Psicologia Clínica, com ênfase em Prevenção e Intervenção Psicológica. Atualmente é Coordenadora do Programa de Pós Graduação de Projetos Educacionais de Ciências, da EEL/USP.