A importância da Neurociência na educação escolar

A aprendizagem dos conhecimentos depende da formação de memórias de longa duração e ampliação de memórias já existentes. Mediante inúmeras leituras e estudos chegamos a esta afirmação: sem memória não há aprendizagem.

Identificamos assim o papel da neurociência na escola: a educação voltada para as crianças de 2 a 6 anos deveria priorizar atividades que formem e ampliem os acervos da memória, pois as estruturas de memória formadas nesse período influenciam por décadas a formação dos sistemas simbólicos e os processos de pensamento da pessoa.

Com a neurociência e sua função na escola confirmamos que o processo de aprendizagem envolve o sistema emocional, ou seja, as emoções também fazem parte da motivação e da formação de memória, uma vez que a memória é modulada pela emoção e esta ligação dá origem à aprendizagem significativa.

Importante ressaltar aqui que na década de 90 um padre do interior da Itália, fundador dos oratórios salesianos e criador do sistema preventivo nos instruía que “a educação é obra do coração”, podemos até dizer que a educação é obra da emoção, da relação plena do educador e do educando, da afetividade ali depositada na experiência de amar e fazer-se amado. Dom Bosco merece nossa gratidão por anunciar, o que somente agora, a ciência confirma.

Comprova-se também que não há separação entre a arte e a ciência no cérebro, como não há entre emoção e cognição. A arte provoca mudanças cerebrais, tanto fisiológicas, como de funcionamento, ela modifica regiões do cérebro e as modificações na maioria das vezes são permanentes.

A Neurociência traz para a sala de aula o conhecimento sobre a memória, o esquecimento, o tempo, o sono, a atenção, o medo, o humor, a afetividade, o movimento, os sentidos, a linguagem, as interpretações das imagens que fazemos mentalmente, o próprio desenvolvimento infantil e as diferenças básicas nos processos cerebrais da infância, e tudo isto se torna subsídio imprescindível para o educador.

Por exemplo: A arte de perguntar e o seu exercício estimulam o cérebro a buscar respostas e soluções, o professor ao entrar em sala de aula deveria sempre lançar uma pergunta em forma de problema, criar uma situação com base em seu planejamento e permitir aos alunos a busca dessa solução.

Ao trabalhar dessa forma o educador está desenvolvendo a memória semântica. Há também a memória procedimental, memória emocional, memória episódica, memória, com atividades próprias para seu desenvolvimento… Fica a dica para os educadores em geral: quanto melhor entendermos o cérebro, melhor poderemos educar.


Ana Luiza

Ana Luiza Matos Lopes Sinieghi nasceu em Aracaju/SE. É missionária na Comunidade Canção Nova desde 2006. Cursou Pedagogia na Universidade Federal de Sergipe. Pós-Graduada em Gestão Democrática pela Universidade de Taubaté (UNITAU). Atua no Instituto Canção Nova como diretora.

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